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Entrevista juíza Gicélia Milene Santos PDF Imprimir E-mail
10-Jun-2011


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Exercendo a profissão desde 2001, a juíza Gicélia Santos é natural do distrito de Paciência, município de Porteirinha, no Norte de Minas. A magistrada lembra ter sido seu pai a pessoa que mais a incentivou a investir nos estudos. O maior ensinamento vindo dele, segundo a magistrada, foi o de respeitar e lutar pela vida com dignidade, sem se esquecer da importância dos estudos, fato esse, de acordo com Gicélia, determinante em sua formação como juíza. Atualmente, Gicélia Santos atua em Espinosa, Norte de Minas, e sua primeira comarca foi Janaúba, na mesma região. A magistrada atuou também nas comarcas de Brasília de Minas e Monte Azul, como juíza substituta. Na entrevista concedida ao Jornal DECISÃO, ela conta que os desafios e dificuldades que enfrenta no Judiciário são comuns a todos os juízes do Estado de Minas Gerais. 


Como foi a infância da senhora no distrito de Paciência? 

Nasci no distrito de Paciência, município de Porteirinha, Norte de Minas, onde residi até os 11 anos de idade, quando fui para Porteirinha terminar o ensino fundamental e o médio, já que, em Paciência, só havia as séries iniciais. Tive uma infância humilde, mas muito feliz, cercada por sete irmãos e muitos amigos. A vida em Porteirinha não foi fácil, pois as condições financeiras não permitiam nenhum conforto. Morávamos em uma casa simples, e só podíamos ir à casa de meus pais nos fins de semana, sendo que não havia transporte. Meus irmãos e eu ficávamos alheios, em uma escola grande, com tudo diferente do que conhecíamos, considerando que, em nosso distrito, nem energia havia naquela época.

Qual a importância do exemplo de seus pais?

Meus pais, mais especificamente meu pai, que era agricultor, era uma pessoa iluminada, e, no seu jeito simples, nos ensinava através de histórias a respeitar, a se comportar e lutar pela vida com dignidade, frisando sempre a importância dos estudos, sendo ele o responsável por minha vontade de estudar. 

Como foi a ida da senhora para Montes Claros?

Quando terminei o ensino médio, curso de magistério, as coisas estavam críticas. Perdi o meu pai, inesperadamente, quando havia acabado de completar 15 anos. Não havia nenhuma expectativa promissora. Eu já sabia que queria algo maior para minha vida, e, segundo os ensinamentos de meu pai, eu só o conseguiria através do estudo.  Então, fui morar em Montes Claros, em uma república com mais três colegas. Depois de muita luta consegui um emprego de secretária num consultório médico, o que me proporcionou pagar um cursinho e passar no vestibular de Direito.

A senhora me contou que foi a primeira a sair de casa para estudar. Como foi a experiência?

Fui a primeira da região onde morava a sair para estudar. Meus irmãos mais velhos completaram o ensino fundamental em Porteirinha, também em escola pública. Depois que já estava estudando em Montes Claros, um irmão mais novo foi levado para estudar, por mim e por meus outros irmãos, e, juntos, custeávamos as despesas dele. Ele conseguiu cursar odontologia na Faculdade Federal de Diamantina. A partir daí, vieram os sobrinhos e, sempre que necessitam, recebem ajuda dos tios, sendo que dois deles fizeram Direito. 

A senhora chegou a trabalhar como escrevente no Fórum. Isso a influenciou para a escolha da profissão?

Trabalhar como escrevente na Comarca de Montes Claros foi uma experiência enriquecedora. Meu primeiro contato com a prática do Direito. Nessa época, eu já me preparava para concursos, e foi o contato diário com vários juízes daquela comarca que me influenciou na descoberta da minha verdadeira vocação. Decisão confirmada ao longo dos anos de trabalho, pois amo o que faço.

Quais são os desafios que a senhora enfrenta no Judiciário?

Desafios fazem parte de nossas vidas, seria complicado relatá-los, considerando a grande quantidade de problemas diários que enfrentamos, principalmente por estar trabalhando em uma cidade pequena e muito carente. Aqui, na Comarca de Espinosa, e em outras comarcas também, seja o problema grande ou pequeno, a população acredita que o Judiciário tem a solução. Posso citar ainda a grande carga de trabalho, comum a todos os magistrados mineiros, e a falta de estrutura, que caberia ao Estado prover. 



“Meus pais, mais especificamente meu pai, que era agricultor, era uma pessoa iluminada, e, no seu jeito simples, nos ensinava através de histórias a respeitar, a se comportar e lutar pela vida com dignidade”

“Desafios fazem parte de nossas vidas”

“A população acredita que o Judiciário tem a solução. Posso citar ainda a grande carga de trabalho, comum a todos os magistrados mineiros, e a falta de estrutura, que caberia ao Estado prover”

“Foi o contato diário com vários juízes daquela comarca que me influenciou na descoberta da minha verdadeira vocação”

 
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